Sobre vigiar as entradas do nosso coração

Vivemos num mundo onde tentam sufocar nossos princípios e nos moldar de forma a sermos iguais a todos, perdendo a nossa originalidade. Por todos os lados somos bombardeados com milhares de informações vazias de conteúdo. Tudo gira em volta do ter e do aparentar.

A felicidade se traduz no número de seguidores que se consegue nas redes sociais. O número de “gostos” define o nível do amor próprio e satisfação pessoal.

“Podemos não fazer nada juntos, mas temos de tirar uma foto para marcar este momento” – exclamou alguém.

Porquê o foco da nossa preocupação não é mais deixar marcas merecedoras de saudade no coração, mas sim deixar marcas voláteis que o tempo facilmente apaga, num dispositivo perecível?

Me preocupa ver para onde temos caminhado. Me preocupa ver pessoas sem rumo, sem saber o que fazer, sem norte. Fala-se tanto em progresso e avanço em vários terrenos, mas temos falhado justamente no cultivo do terreno onde deveríamos estar a florir e a dar frutos.

Talvez fosse menos grave se pudesse dizer que invertemos a sequência, que ao invés de crescer de dentro pra fora, temos crescido de fora pra dentro. Mas nem isso. O mundo interior perdeu seu valor. Já não recebe nenhum olhar profundo e amante que o faça renascer e crescer saudável.

O propósito da influência perdeu a essência e ganhou mais aparência.

A grande verdade é: tudo o que entra pelos nossos sentidos nos afetam de alguma maneira, e por onde quer que passamos deixamos marcas, influenciamos. Não somos neutros.

E se parássemos para refletir sobre o que temos visto, ouvido, feito e falado? É uma aplicação de tempo que nunca será uma perda de tempo. E se a nossa influência fosse mais intencional? Não podemos permitir que nossa personalidade e o que partilhamos seja definido e resumido em coisas banais, passageiras, efémeras e que não agregam.

“Pela contemplação sereis transformados”, já dizia Paulo há quase 2 mil anos. Ainda é tempo de mudar os objetos de nossa contemplação. Mesmo que o mundo lá fora seja corrupto, você pode escolher não se contaminar.

E que tal se sairmos por aí a procura das coisas boas e inofensivas que a vida ainda oferece? Se sentarmos na varanda e conversarmos sobre coisas bobas e inocentes que roubam os mais verdadeiros sorrisos? Mas com uma condição, fica entre nós. Será nosso segredo. Ou talvez partilhemos com alguns, mas não precisa ser com todos. Nem todos valorizarão.

Acredito que ainda existe aquela geração que nutre amizades edificantes. Acredito que ainda há quem tenha coragem e a determinação de deixar de lado tudo o que não acrescenta. Que procura o que de melhor há seu íntimo para oferecer e incentiva seu próximo a igualmente dar o seu melhor.

Acredito também que ainda se pode recuperar o que se perdeu.

Nessa jornada, é indispensável vigiar as entradas do coração: o que vejo, o que ouço, o que falo. Nossas mãos serão guiadas por aquilo que temos armazenado no coração.

– Wilma Tavares

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